
Em 12 de setembro de 2022, a minha jornada com a técnica RYT – Gestão do Humor ganhou um daqueles capítulos que parecem escritos pela vida com uma caneta mais generosa. Eu estava em Portugal e pude acompanhar uma missão empresarial internacional liderada pelo estatístico Marcus Araújo, convite que surgiu quase por acaso, mediado pelo corretor de imóveis Junior Fernandes. Coincidência ou sincronicidade, naquele mesmo dia, o ponto alto do evento seria uma palestra de Augusto Cury, o autor-psiquiatra mais lido e traduzido do mundo, referência absoluta quando o assunto é mente, emoções e saúde emocional.
Eu não havia atravessado o oceano por causa da palestra. Eram outras as circunstâncias que me levaram à Europa, mas, quando me dei conta de que estaria no mesmo ambiente de um dos maiores pensadores da psicologia contemporânea, algo em mim intuiu: havia ali um encontro que precisava acontecer.
Após a palestra, fui apresentado a Cury pelo casal Jonatas Pereira e Aline Wiggers. Ele, gaúcho. Ela, de Braço do Norte. Os dois se conheceram em Gravatal e hoje moram em Capão da Canoa. Tinham proximidade com o escritor e, com uma naturalidade despretensiosa, disseram a ele que eu também era escritor e desenvolvia um trabalho com riso, emoções e bem-estar. Foi então que algo raro aconteceu: Augusto Cury me ouviu.
Por cerca de cinco minutos, que para mim pareceram uma eternidade sagrada, ele prestou atenção genuína enquanto eu falava do meu livro O Poder da Transformação e da base da técnica que eu vinha desenvolvendo, a RYT – Gestão do Humor, inspirada no Yoga do Riso. Falamos sobre saúde emocional, sobre a importância de resgatar a leveza em uma sociedade adoecida pela ansiedade, pelo excesso de estímulos e pela escassez de sentido.
Ele não apenas ouviu. Ele se interessou.
Achou o trabalho instigante. Chamou um assessor e pediu que retribuísse o gesto. Mandou que me entregasse um de seus livros, justamente sobre aquilo que se tornaria o elo invisível entre nós: a Gestão das Emoções.
A Gestão das Emoções, conceito que Cury popularizou no mundo inteiro, é, em essência, a arte de se tornar autor da própria história emocional. É aprender a identificar pensamentos automáticos, desenvolver inteligência emocional, ressignificar traumas, treinar a mente para lidar com frustrações, medos e pressões, e construir uma psique mais resiliente. Para Cury, quem não governa suas emoções acaba sendo governado por elas.
Foi então que ele me puxou de volta, num gesto quase simbólico, como quem diz:
“Espere. Ainda não terminei”.
Olhou nos meus olhos e disse:
“Fernando, usa o meu trabalho da gestão das emoções na gestão do humor. Tem tudo a ver.”
Naquele instante, tudo fez sentido.
A Gestão do Humor, que eu vinha construindo a partir do Yoga do Riso, não era apenas sobre rir. Era, e é, sobre acessar estados emocionais mais elevados por meio do corpo, da respiração, da presença e da ludicidade. É ensinar o cérebro a sair do modo de sobrevivência e entrar no modo de vitalidade. É usar o riso não como fuga, mas como ferramenta terapêutica, como alavanca de bem-estar, como ponte entre o corpo e a mente.
Se a Gestão das Emoções ensina a governar o mundo interno com lucidez, a Gestão do Humor ensina a reprogramá-lo com alegria consciente.
Duas linguagens diferentes. Um mesmo propósito.
Antes de nos despedirmos, ele ainda soltou, com aquele humor que só os grandes mestres espiritualmente maduros carregam:
“Diz pra todo mundo que você é meu aluno. Ou, melhor, diz pra todos que você é meu amigo!”
Rimos. Tiramos fotos. E ele seguiu seu caminho. Eu segui o meu. Mas algo havia mudado para sempre.
Naquele dia, mais do que a validação de um ícone da psicologia mundial, eu recebi uma lição silenciosa: os verdadeiramente grandes não diminuem ninguém. Eles ampliam.
Cury não me tratou como um desconhecido, nem como alguém irrelevante no meio da multidão. Ele me tratou como par humano. Como alguém em construção. Como alguém que também estava tentando, à sua maneira, curar o mundo um pouco por vez.
E foi ali que aprendi, na prática, que generosidade e humildade não são virtudes opcionais. São fundamentos.
Hoje, olhando para trás, percebo que aquele encontro não foi apenas sobre riso, livros ou teorias emocionais. Foi sobre reconhecimento entre propósitos.
E aqui está o detalhe surpreendente que só entendi muito tempo depois: Naquele dia, em Portugal, eu não fui apenas conhecer Augusto Cury. Eu fui confirmar que estava no caminho certo.
Porque quando a vida coloca diante de você alguém que dedicou décadas a ensinar pessoas a governarem suas emoções, e ele diz que o que você está fazendo “tem tudo a ver”, não é mais um elogio. É uma convocação!
Desde então, toda vez que entro em uma sala para conduzir uma prática de Yoga do Riso, toda vez que falo sobre Gestão do Humor, toda vez que vejo alguém recuperar o brilho nos olhos depois de uma gargalhada terapêutica, eu me lembro daquela frase simples: “Tem tudo a ver.” E sorrio. Não porque sou amigo de Augusto Cury. Mas porque, naquele dia, a vida me deu a permissão simbólica de ser, definitivamente, amigo do meu próprio propósito.