
Quando técnicas se encontram e a cura se amplia
Nossa escala de Gestão do Humor, que utiliza o riso como ferramenta de nivelamento emocional, ganhou uma dimensão internacional em setembro de 2022, quando estive em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, nos Açores, em Portugal. Pela internet, descobri que, em um centro comunitário, havia uma sessão semanal de Yoga do Riso conduzida por uma simpática instrutora. Délia Oliveira, além de líder do riso, é professora de danças circulares e mantém desde 2012 suas atividades todas as quintas-feiras, no final da tarde. O grupo conta hoje com mais de 60 praticantes ativos.
Para mim, foi uma das maiores experiências que vivi dentro desse caminho terapêutico. No dia em que acompanhei o clube do riso, mais de 40 integrantes se fizeram presentes. Délia, com toda a sua humildade, me presenteou com a oportunidade de guiar por alguns minutos o grupo. Foram quase duas horas de riso e dança que terminaram com uma dança circular que nos conduziu a um estado de introspecção meditativa profunda.
Acompanho até hoje a atividade do grupo pela internet. No alto dos seus mais de 70 anos, Délia mantém o grupo ativo e cada vez mais forte, mostrando, na prática, o poder revigorante e renovador do riso e da dança. Mais do que isso: ela se tornou, para mim, um exemplo vivo de como o Yoga do Riso combina perfeitamente com outras técnicas e trabalhos terapêuticos.
Essa vivência reforçou algo que já vinha se tornando claro ao longo da minha própria jornada com o método RYT – Gestão do Humor: o riso não é uma técnica isolada. Ele é, na verdade, um eixo integrador terapêutico.
O Yoga do Riso não concorre com aquilo que o terapeuta já sabe operar. Ele não substitui formações, não invalida métodos, não invade territórios. Ao contrário: ele prepara o terreno interno para que qualquer técnica como corporal, emocional, energética ou cognitiva, possa atuar com mais profundidade, leveza e eficácia.
O riso reduz defesas emocionais, regula o sistema nervoso, aumenta a oxigenação, flexibiliza padrões mentais rígidos e cria um estado emocional mais receptivo. Em termos simples: ele abre portas internas. E quando essas portas se abrem, tudo aquilo que o terapeuta já sabe fazer passa a funcionar melhor.
Além das danças circulares e do Reiki, o profissional que possui outra formação pode alinhar seu trabalho de forma absolutamente orgânica ao Yoga do Riso ou ao RYT – Gestão do Humor. Massoterapia, arteterapia, musicoterapia, constelação familiar, mindfulness, psicologia positiva, coaching terapêutico, aromaterapia, Ayurveda, entre tantas outras abordagens, encontram no riso um aliado natural.
Na prática, isso significa oferecer ao grupo ou ao mentorado a possibilidade de um restabelecimento da saúde plena, utilizando a técnica que o terapeuta já domina, potencializada por um estado neuroemocional mais equilibrado e expansivo.
O Yoga do Riso e, de forma ainda mais estruturada, o método RYT – Gestão do Humor, não se propõe a substituir terapias tradicionais ou abordagens consolidadas. Ele se propõe a ser um ponto de convergência entre corpo, emoção, mente e consciência.
E essa convergência se expressa de maneira muito concreta quando observamos como diferentes práticas se alinham de forma natural ao riso.
A respiração consciente, por exemplo, amplia e organiza os efeitos do riso sobre o sistema nervoso. Práticas como respiração profunda, respiração alternada (nadi shodhana) ou a respiração do leão ajudam a regular emoções, reduzir ansiedade e aumentar foco. Quando usadas antes do riso, preparam o corpo. Quando usadas depois, integram e estabilizam os efeitos da experiência.
A meditação mindfulness, por sua vez, aprofunda a presença. Um breve escaneamento corporal antes do riso e uma meditação do sorriso interior depois dele permitem que a pessoa observe, sem julgamento, as sensações despertadas. Isso favorece autorregulação emocional, insights e um senso mais claro de centramento.
A psicologia positiva encontra no riso um campo fértil. Exercícios de gratidão em dupla, afirmações positivas acompanhadas de riso e dinâmicas de celebração de conquistas consolidam estados emocionais elevados e ajudam a reprogramar padrões mentais negativos, fortalecendo autoestima e pertencimento.
As terapias corporais e somáticas também se integram com naturalidade. Movimentos de sacudir o corpo antes do riso, liberações miofasciais leves e alongamentos conscientes após a prática dissolvem tensões crônicas, facilitam a catarse emocional segura e ampliam a sensação de vitalidade.
A arteterapia prolonga e integra os efeitos da sessão. Desenhar “como o riso se sente no corpo”, escrever de forma intuitiva após a prática ou criar mandalas do bom humor ajudam a externalizar conteúdos internos e a unir emoção e cognição em um mesmo processo.
A musicoterapia, por sua vez, regula o humor e fortalece a coesão grupal. Riso ritmado com percussão leve, canto de vogais ou mantras após o riso e relaxamento com música instrumental aprofundam estados de presença e conexão.
Até mesmo abordagens mais profundas, como a constelação familiar sistêmica, podem se alinhar ao riso quando conduzidas de forma ética e respeitosa. O riso reduz defesas emocionais antes da dinâmica, facilita exercícios de perdão e reconexão e humaniza conflitos, desde que sem exposições invasivas em grupo.
O eneagrama da personalidade, que já utilizo dentro da RYT – Gestão do Humor, encontra no riso uma ferramenta para flexibilizar padrões rígidos. Exercícios específicos por tipo, dinâmicas de empatia entre perfis diferentes e o uso do riso para reduzir reatividade emocional ampliam autopercepção e estimulam crescimento pessoal.
O coaching terapêutico também se beneficia desse estado emocional elevado. O riso desbloqueia crenças limitantes, prepara o campo interno para visualizações guiadas e fortalece a definição de intenções conscientes, aumentando motivação e facilitando mudanças comportamentais.
E mesmo a espiritualidade prática, não religiosa, encontra no riso um canal legítimo. Meditações da compaixão após o riso, mantras curtos, afirmações positivas e rituais simbólicos de gratidão aprofundam o significado da experiência terapêutica e geram sensação de unidade e propósito.
Ao integrar o riso àquilo que já sabe operar, o terapeuta não apenas expande sua atuação profissional. Ele entrega ao seu público uma vivência terapêutica mais acessível, afetiva e eficaz. Uma experiência em que a técnica deixa de ser rígida e passa a ser viva, humana e sensível ao momento emocional de cada pessoa.
Assim como Délia Oliveira demonstra, com simplicidade e profundidade, que é possível unir Yoga do Riso, danças circulares e introspecção meditativa em uma única experiência, qualquer terapeuta pode alinhar sua técnica de origem ao riso de forma ética, responsável e potente.
O RYT – Gestão do Humor nasce exatamente dessa visão: não como um método fechado, mas como uma plataforma terapêutica viva, integradora e expansível. Um convite para que terapeutas, educadores, líderes e facilitadores honrem seus saberes prévios e, ao mesmo tempo, ofereçam ao outro um caminho mais leve, humano e profundamente transformador.
Porque, quando alegria, consciência e técnica caminham juntas, o cuidado deixa de ser fragmentado, e a saúde passa a ser, de fato, integral.